quinta-feira, 26 de Novembro de 2009


a música começou em paroxismo...
e aí ficou, exaltante e exaltada

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

um dos caminhos possíveis


não serve para explicar nada mas, por isso mesmo, ouça-se sem esperança e sem reflectir

Ser-se forte e não ter medo

(…)

Sabe-se lá
Quando a sorte é boa ou má
Sabe-se lá
Amanhã o que virá

Breve desfaz - se
Uma vida honrada e boa
Ninguém sabe, quando nasce
Pró que nasce uma pessoa.

O preciso é ser-se forte
Ser-se forte e não ter medo

Eis porque às vezes a sorte
Como a morte
Chega sempre tarde ou cedo
Ninguém foge ao seu destino
Nem para o que está guardado
Pois por um condão divino
Há quem nasça pequenino
Pr'a cumprir um grande fado.

domingo, 1 de Novembro de 2009

não há derrota

apenas retorno e regresso

cada derrotado deve retomar, sempre e sempre, o que for o seu caminho


Também não há vitória ou sucesso -

há apenas entretanto e por enquanto.


.tudo irá

mas tudo voltará

terça-feira, 27 de Outubro de 2009


a alegria e a liberdade de a cada momento
se poder dizer
seja o que for


:eis a regra.
belo chocante e trágico

um rosto que
foi tudo

mas que

agora,
já tudo passado,

tem de continuar a viver.

que vive ainda!

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Canzona (Ataraxia)


Ver e ouvir aqui

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil)


(...)
Se eu quiser falar com Deus

Tenho que me aventurar

Tenho que subir aos céus

Sem cordas pra segurar

Tenho que dizer adeus

Dar as costas, caminhar

Decidido, pela estrada

Que ao findar vai dar em nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Do que eu pensava encontrar

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

de Clarice Lispector


Mas há a vida

que é para ser

intensamente vivida,

há o amor.

Que tem que ser vivido

até a última gota.

Sem nenhum medo.

Não mata.
o seu tempo cumpriu-se
amena e acidamente se diz isto


ao querer dizer-se

algo bem
pior

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Gilberto Gil


Omolu, Ogum, Oxum, Oxumaré, todo o pessoal

Manda descer pra ver Filhos de Gandhi

Iansã, Iemanjá, chama Xangô, Oxossi também

Manda descer pra ver Filhos de Gandhi

Mercador, Cavaleiro de Bagdá

Oh, Filhos de Obá

Manda descer pra ver Filhos de Gandhi

Senhor do Bonfim, faz um favor pra mim

Chama o pessoal

Manda descer pra ver Filhos de Gandhi

Oh, meu Deus do céu, na terra é carnaval

Chama o pessoal

Manda descer pra ver Filhos de Gandhi

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Liber

Liberdade de falar, liberdade de dizer, - não se dispensa, não se relativiza, não se negoceia, não se cede

É apaixonante, é violenta. É a pulsão, a própria pulsão.

Não deve, pois, ser calada, ameaçada, não deve ser batida.

Não tem de ter qualquer regulação. Nenhuma regulação. Ninguém é ofendível.

Tudo o que se pretenda passar por tal é amputatório. Aiatolismo só.

Tudo é convenção, tudo passa, tudo tem passado, tudo passará, sem mais: logo, não há ofensa possível.

Este mercado é LIVRE, liberto, libertado, da liberdade

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Será que o leitor imaginário que todo aquele que escreve tem em mente poderá ser tão simplesmente, afinal, o próprio? Como uma sua permanente central de auto-filtragem e auto-avaliação - se me soar bem, se fizer sentido, se me representar, se for eu, então deve ser posto em palavra?
Para quem escrevo eu neste momento? A quem o estou a fazer?
Ao Vazio..? Ao Vácuo..

O nome


Memória das coisas - eis o que significa rei memoriam.
Por um lado, foi a banda italiana "Ataraxia" que me deu o mote para adoptar este nome para o presente espaço.
Recordo também a reminescência da expressão ad perpetuam rei memoriam, comummente utilizada em Direito a fim de designar a operação que tem em vista a documentação de determinada realidade fáctica - v.g., estado de um imóvel - por forma a preservá-la para momento futuro em que tenha ocorrido alguma modificação e se mostre conveniente ou necessária a visualização do status quo ante.
Daí que o meu "estado" actual venha a ser susceptível de auto-comparação em momento futuro, através do que fica registado aqui.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Amá-la .as estrelas no céu .o espaço sem fim .o alecrim no campo .as flores da primavera

(...)
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto às andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim
(...)
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim
(...)
- Lembras-te?
- Lembro.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Tão poucos por fim e afinal

Lembro-me sempre do meu querido e jovial amigo Duarte Cabaça, anos e anos sem o ver e sempre presente na compreensão de uma alma tão curiosa, tão empática e tão curiosa, ciente da contingência de tudo mas sem que por isso - aliás, provavelmente por causa disso - alguma vez tenha recusado a generosidade.
É que se tudo é complexo e incompreensível, nunca isso poderia ser travão ao acesso ao próximo.
Isso aliás nos une e cinge num não-destino comum.
Alma forte e igualmente generosa é o meu também amigo JP, recusando igualmente o cinismo fácil e tão aparentemente mais compensador da recusa do próximo.
É a isso afinal aquilo a que eu chamo a verdadeira coragem - o assomo do coração puro num mundo em geral adverso e hostil.
Bem hajam, claro.

Cazuza

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
(...)

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

aqui

a vida inteira rodando. e uma questão só. todos os sábios se devem calar
fique o silêncio calemo-nos
recue-se devolva-se retorne-se
Que se seja ignorante .anémico de saber Não sapiente
Que se esgotem as fontes todas da palavra .que só fiquem as não sabidas
fale-se por experiência
pelo tactear da cabeça ,que é cega que é oculta
e nada se explique
nada se cobre
dê-se tudo sem pudor tudo se abandone tudo vá